Escassez no Brasil: como a crise hídrica mudou o brasileiro?


Há dois anos o Brasil enfrenta uma das piores crises hídricas da história do país. Dentre os lugares mais afetados por essa crise está à região da grande São Paulo, 34% da população ficaram sem águas nas torneiras diariamente em 2015. Os Estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro também estão sendo atingidos com a escassez.

Essa crise hídrica que tem afetado os grandes centros nacionais está impactando tanto o meio ambiente, quanto o bolso dos brasileiros, que estão pagando muito mais na conta de água de energia elétrica.

Porque está faltando água? O Brasil é um dos países mais ricos em recursos hídricos do mundo abrigando 12% de toda a água potável do planeta. Não era de se esperar que fosse atingido por uma crise hídrica como a que temos enfrentado desde 2014. Mas, porque apesar de tanta água o país está passando por esse problema?

Geografia Para começar a entender melhor essa questão, é preciso primeiro entender que por motivos concernentes à geografia do território nacional, a água tão abundante no país, não se distribui de maneira uniforme.

E acontece que, justamente nas áreas menos povoadas do país é que se concentram a maior parte dos recursos hídricos. Na tabela a seguir, você confere a relação entre densidade demográfica e a disponibilidade de água entre as diversas regiões do Brasil.

Distribuição dos recursos hídricos e densidade demográfica do Brasil

Vamos abordar os problemas enfrentados nos Estados mais afetados no país.

Sertão Brasileiro A crise hídrica em São Paulo chamou a atenção por ser novidade e por acontecer numa das regiões mais desenvolvidas e populosas do país. Mas a grande verdade é que parte dos mais de 10 milhões de brasileiros que vivem no semiárido nordestino convive com a falta d’água ano após ano.

Em 2013, a falta contínua de chuva que vinha desde 2011, fez com que muitos nordestinos perdessem os meios que tinham para sobreviver e sem alternativas precisassem deixar suas terras e buscar ajuda longe do sertão.

São dois os principais motivos para a dramática seca crônica do Sertão do Nordeste. O primeiro é que os ventos que deveriam levar a umidade, não alcançam força para levar até lá, e a chuva chega primeiro nas regiões vizinhas, seja o litoral do Nordeste, o Sudeste do país ou a região amazônica. Resta então apenas uma massa quente e seca, que estaciona e permanece por longos períodos no Sertão. Segundo, a região do semiárido quase não possui lagos e rios volumosos, que poderiam induzir a formação de aguaceiros locais. Na região Nordeste está apenas 3,3% dos recursos hídricos do Brasil.

São Paulo A Região metropolitana de São Paulo vive sua maior crise hídrica desde 1930. A pior situação é no sistema Cantareira, o principal reservatório de água da cidade, sendo responsável pelo abastecimento de 8,8 milhões de pessoas, quase a metade da população da Grande São Paulo.

Atualmente o sistema Cantareira está sendo considerado estável. No dia sete de março de 2016, o governo decretou o fim da crise hídrica no Estado. Mas antes disso, o volume útil do sistema esgotou, e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) precisou bombear água do chamado volume morto, nunca antes usado.

Rio de Janeiro O Rio de Janeiro também viveu a pior crise de abastecimento da sua história, embora hoje esteja melhor. Em outubro de 2015, o seu principal reservatório, o de Paraibuna, que fica no interior de São Paulo, chegou a ficar com 1,09% do volume útil.

Com as chuvas, o nível do reservatório voltou a subir, hoje a média dos quatro reservatórios do rio Paraíba do Sul, que abastecem 12 milhões de pessoas, está em 19% do volume útil.

Espírito Santo

Nos últimos três anos, o Espírito Santo vem sofrendo a sua pior crise hídrica da história e a situação é ainda mais grave do que há um ano. Para piorar, as condições climáticas do Estado não tem favorecido a situação. O Estado está com um déficit acumulado de 50% a 75% de chuvas abaixo da média e o período de chuvas já está acabando.

Praticamente todo Estado está em alerta. Mais de um terço dos municípios estão com o abastecimento de água comprometido, algumas em estado de calamidade pública. Para amenizar a situação ajudar essas regiões, a secretaria de secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e a Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) têm fornecido o abastecimento com caminhões pipa.

Apenas a má distribuição causa a falta abastecimento? Não. Um estudo do Instituto Socioambiental (ISA), diz que as capitais brasileiras perdem, diariamente, quase metade da água captada durante a distribuição. E a taxa de desperdício de água está em 37% por cento no país inteiro. A meta para 2033 é reduzir para 31%.

Como isso acontece? O crescimento desordenado das cidades piora o acesso à água com qualidade e em quantidade satisfatórias. Essa falta de planejamento e a construção de muitos prédios sobrecarregam as estruturas já existentes nas ruas, que muitas vezes não suportam a quantidade de água começa a passar por ali, resultado: vazamento de milhões de litros de água que se perdem.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a cada dez litros de água captados, três se perdem no trajeto até o consumidor (30%). A maior parte das perdas é causada por ligações clandestinas e hidrômetros quebrados ou adulterados. Outra parte por vazamentos e questões operacionais.

Mudança de hábito Essa crise tão agressiva tem deixado muita gente sem água, mas também está ensinando muitas lições, tanto para a população quanto para o governo, que estão precisando se adaptar e para resolver esse problema. Não é um problema que possa ser driblado, mas que precisa ser solucionado.

Para a população, incorporar hábitos já tem ajudado muito a combater essa crise, como fechar a torneira enquanto escova os dentes, lava a louça, reaproveitar água da máquina de lavar roupa para lavar calçadas, etc.

Gestão ambiental Já com os governos e concessionárias de água a situação é mais séria, como investir em obras de esgoto, fazer uma gestão de bacias e gestão da própria chuva, recuperar florestas, etc.

Em junho de 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu uma decisão que reconhece a relação direta entre a escassez de recursos hídricos com o desmatamento e oficiou que os quatro Estados afetados pela crise de água estabeleçam metas de restauração florestal para as áreas de preservação permanente, acima das faixas definidas no novo Código Florestal.

No Caso do Sistema Cantareira, o Chefe do Poder Executivo poderá estabelecer metas e diretrizes de recuperação ou conservação da vegetação nativa superiores as definidas na lei florestal.

Continue nos acompanhando, durante o ano falaremos de mais temas que podem cair na proa de redação do Enem! Você procurar mais formas de informação sobre esse tema, como vídeos e músicas, por exemplo. Pratique!

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